Falta de respeito com o 1° Boeing 737 da America do Sul

PP-SMA, Boeing 737-200 pioneiro na VASP

Essa é a palavra adequada quando falamos da VASP. A empresa paulista foi pioneira por diversas ocasiões, mas vamos falar hoje de um momento apenas: BOEING 737! Na metade dos anos 60 a VASP precisava se reequipar com urgência, para fazer frente à concorrência.

Com uma frota obsoleta, que sequer contava com jatos, enquanto a CRUZEIRO e a VARIG já voavam Caravelle, a VASP começou a estudar a aquisição do Douglas DC9, escolheu o 727-100, depois o 727-200, mas acabou mesmo optando por investir nos 737-200 que não ofereceria restrições a seus serviços nacionais.

Assim sendo em 18 de Julho de 1969 em Congonhas, diversas pessoas assistiram o rasante de 4 Boeings 737-200, matriculados PP-SMA, SMB, SMC e SMD!
O PP-SMA era especial, ficou pronto primeiro, representava o primeiro Boeing 737 não só da Aviação Brasileira, mas de toda América do Sul (apenas em 1970 a Aerolineas Argentinas receberia o seu lendário LV-JMW) e tratando-se de operação Brasil, aí é que demorou mesmo, pois somente em 1974 a VARIG receberia seu primeiro 737, o PP-VME e em 1975 a CRUZEIRO receberia o PP-CJN. Completariam a lista de usuários nacionais de 737-200 a FAB em 1976.

O PP-SMA trouxe um avanço tecnológico sem igual à VASP apesar de ser a versão básica. Anos depois (1974) a VASP receberia o ADVANCED (PP-SMG em diante). Por questões de marketing, a VARIG/CRUZEIRO apelidaram seus 737-200 de Super Advanced, para parecerem superiores aos da VASP, em uma versão que jamais existiu a não ser nas letras garrafais nas fuselagens dos jatos, pois eram iguais aos da VASP.

E o SMA vestiu a camisa como bom guerreiro, voou de Julho de 1969 até Setembro de 2004, transportando milhares de pessoas pousando em Congonhas, Guarulhos, Curitiba, Ponta Pelada (Manaus), Manaus, Santarém, Belém, Teresina, Fortaleza, Salvador, Porto Seguro, Porto Alegre e Porto Velho, Brasília e Londrina, Aracaju e Foz do Iguaçu. Voou bastante, aceitou até os maus tratos na fase de vacas magras da VASP, até que foi “groundeado” junto a outros 7 aviões proibidos pelo DAC (atual ANAC) de voar, por falta da aplicação de ADs (Airworthiness Directives – manutenções obrigatórias).

Depois foi esquecido em Confins. Que fim inglório para um pioneiro da aviação comercial brasileira, terminar largado em um gramadinho em Confins. Dizem que a TAM o levará para o Museu em São Carlos, mas até hoje nada se concretizou.

Há uma lenda de que a Boeing queria recomprar o SMA por ser o mais antigo Boeing 737-200, mas é mentira, ele foi o mais antigo no Brasil apenas em termos de permanência, haviam 737 mais velhos aqui mesmo operados posteriormente pela VASP e TAF. Houve um 737-200 mais antigo que ele na Argentina (LV-ZXS), e com o fim da VASP alguns 737-200 no outro lado do mundo alcançaram mais de 35 anos em uma mesma empresa.

Na Bolívia um jato ultrapassou o SMA, trata-se do CP-861 que voou de 1970 até 2007 pelo Lloyd Aereo Boliviano, sendo tratado como um Deus pela comunidade de aviação da Bolívia.

O SMA recebeu o mesmo tratamento de glória de seus pilotos e mecânicos que sabiam do valor da peça rara que trabalhavam, mas com o groundeamento por parte do DAC em Setembro de 2004, o avião foi isolado em um gramado em Confins, canibalizado, mal pintado de branco e por lá aguarda o seu destino… destino de um pioneiro de uma empresa pioneira, pois coube a VASP trazer para o Brasil em 1986 o primeiro 737-300 da aviação comercial Brasileira (seguido por TRANSBRASIL e VARIG).

Texto do Blog Aviões e Músicas – Lito

 

 

 

2 comentários em “Falta de respeito com o 1° Boeing 737 da America do Sul

  • 21 de agosto de 2019 em 16:17
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    Infelizmente, o avião continuará sem a sua recuperação de identidade visual, ao ser transladado no ida 22/08/19, para o “Mercadão Internacional de Lagoa Santa”. Tendo sido eu tripulante da VASP, sabedor do valor histórico do PP-SMA, represento aqui a todos os demais ex-tripulantes que tiveram a alegria de estar a bordo desta aeronave, incontáveis vezes, por todo o território Nacional.

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  • 2 de dezembro de 2019 em 09:34
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    Pois é meu caro. O Brasil sendo Brasil. Desrespeito total à historia da aviação brasileira. Este foi o 1o da América do Sul, e nem esta honraria foi suficiente para alguma empresa ou particular se interessar em restaura-lo. Ele faz parte da foto oficial dos produtos da Boeing daquela década. Uma pena.

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