História do 5o GAV – 1942 – 1946

Criação da Base Aérea de Natal 

A Base Aérea de Natal foi criada pelo Decreto-Lei no. 4.142, de 2 de março de 1942, e seu primeiro Comandante, Maj Av Carlos Alberto de Filgueira Souto, foi nomeado por Decreto de 25 de abril do mesmo ano.  No entanto, a Base somente iniciou as suas atividades a 7 de agosto de 1942, embora o primeiro Boletim da Unidade fosse divulgado em 17 de agosto.

O Decreto-lei no. 4.142, dentro de sua extrema simplicidade, continha apenas quatro artigos, não se poderia supor que a Unidade recém-criada tornar-se-ia, em breve, na maior Base da Força Aérea Brasileira, vindo a desempenhar uma relevante importância estratégica no decorrer da Segunda Guerra Mundial.

O documento citado constitui, pois, o início da História da Base Aérea de Natal e assim sendo, é adiante transcrito:

DECRETO-LEI NO 4.142, de 2 de março de 1942

Cria a Base Aérea de Natal, Estado do Rio Grande do Norte

O Presidente da República, usando das atribuições que lhe confere o artigo 180 da Constituição, decreta:

Artigo 1  – Fica criada uma Base Aérea em Natal, Estado do Rio Grande do Norte, guarnecida inicialmente com um Corpo de Base Aérea de 3 a classe.

Artigo 2 – Os elementos que se tornem necessários para constituição desse Corpo de Base Aérea serão recrutados e transferidos de outras Unidades da FAB.

Artigo 3 – A Companhia de Infantaria de Guarda, sediada em Natal, passa a fazer parte desta Base Aérea.

              Artigo 4 – Revogam-se as disposições em contrário.

Rio de Janeiro, 2 de março de 1942 – 1211 da Independência e 54 da República  

          GETULIO VARGAS

  1. P. Salgado Filho

Emblema da Base Aérea de Natal

A Primeira Unidade Aérea

No Boletim da 2a   Zona Aérea, com data de 1o  de agosto de 1942,  constou a transcrição do seguinte item: “É constituído um Agrupamento de Aviões P-40, que ficará instalado na Base Aérea de Natal, sob o Comando do Maj Av Ernani Pedrosa Hardman. A partir de 24 de dezembro de 1942 pelo Aviso 163 do Ministro da Aeronáutica  esse Agrupamento de Aviões seria denominado “Grupo Monoposto-Monomotor”. 

Criação do 2o Grupo de Caça

O Decreto-Lei no. 6.796, de 17 de agosto de 1944, criou o 2o Grupo de Caça, equipado com aviões Curtiss P-40 , com sede na Base Aérea de Natal.  

DECRETO-LEI N.º 6.796 – de 17 de agosto de 1944

Cria Unidades de Aviação

O Presidente da República, usando da atribuição que lhe confere o artigo 180 da Constituição, decreta:

     Art, 1.º São criadas as seguintes Unidades de Aviação:

  1. A)Na 1.ª Zona Aérea:

                1- O 1.º Grupo de Patrulha com sede normal na Base Aérea de Belém,

  1. B)Na 2.ª Zona Aérea:

1-   O 2.º Grupo de Caça com sede normal na Base Aérea de Natal,

2-   O 1º Grupo de Bombardeio Médio com sede normal na Base Aérea de Recife,

3-   O 2.º Grupo de Bombardeio Médio com sede na Base Aérea de Salvador,

4-   O 6.º Regimento de Aviação com sede normal na Base Aérea de Recife e constituído pelo 1.º Grupo de Bombardeio Médio e outro Grupo a ser criado posteriormente.

  1. C)Na 3.ª Zona Aérea:

1-   O 1.º Grupo de Bombardeio Picado com sede normal na Base Aérea do Galeão,

2-   O 3.º Grupo de Bombardeio Médio com sede normal na Base Aérea do galeão,

3-   O 2.º Grupo de Patrulha com sede normal na Base Aérea do Galeão,

4-   O 4.º Regimento de Aviação com sede normal na Base Aérea do Galeão e constituído pelo 3.º Grupo de Bombardeio Médio e 2.º Grupo de Patrulha.

  1. D)Na 4.ª Zona Aérea:

1-   O 2.º Grupo de Bombardeio Picado com sede normal na Base Aérea de São Paulo,

2-   O 2.º Regimento de Aviação com sede normal na Base Aérea de São Paulo e constituído do 2.º Grupo de Bombardeio Picado e outro Grupo  a ser criado posteriormente,

  1. E)Na 5.ª Zona Aérea:

1-   O 1.º Grupo de Bombardeio leve com sede normal na Base Aérea de Canoas,

2-   O 3.º Grupo de Caça com sede normal na Base Aérea de Canoas,

     Art. 2.º O 1.º Regimento de Aviação, com sede normal na Base Aérea de Santa Cruz, passa  a ser constituído pelo 1.º Grupo de Bombardeio Picado e outro Grupo  a ser criado posteriormente.

     Art. 3.º O 3.º Regimento de Aviação, com sede normal na Base Aérea de Canoas, passa  a ser constituído pelo 1.º Grupo de Bombardeio Leve e pelo 3.º Grupo de Caça,

     Art.4.º Revogam-se as disposições em contrário.

     Rio de Janeiro, 17 de agosto de 1944, 123.º da Independência e 56.º da República.

 

GETULIO VARGAS

Joaquim Pedro salgado Filho 

     Os primeiros Aspirantes-Aviadores classificados nessa nova Unidade Aérea, relacionados no Boletim de 6 de setembro, foram os seguintes:

     Rodopiano de Azevedo Barbalho,      Ney Osório ,     Octávio campos ,      Afrânio da Silva Aguiar ,     Orze de Morais Pupo ,     Murilo Altemberg Brasil ,     Franklin Enéas de Miranda Galvão ,     Claudio Rodríguez de Vasconcelos ,     Rafael Cirne da Costa Lima ,     Pedro Vercilho ,     Saulo de Matos Macedo ,     Amaury da Rocha Sanctos ,     Roberto de Araújo Cintra 

Criação do Primeiro Grupo Misto de Aviação

O Decreto-Lei no. 6.926, de 5 de outubro de 1944, criou com sede em Natal, o 1o Grupo Misto de Aviação, constituindo de esquadrilha de Caça e Bombardeio Médio.

Pelo mesmo Decreto-Lei foi determinada a transferência do 2o Grupo de Caça, de Natal para a Base Aérea de Santa Cruz, onde passou a integrar o 1o Regimento de Aviação.    

DECRETO-LEI N.º 6.926 – de 5 de outubro de 1944 

Cria Unidades de Aviação e dá outras providências

O presidente da Republica, usando da atribuição que lhe confere o artigo 180 da Constituição, decreta:

     Art. 1.º São criadas as seguintes Unidades de Aviação:

  1. a)Na 2.ª Zona Aérea:

1)    – O 4.º Grupo de Bombardeio Médio, com sede normal na Base Aérea de Fortaleza,

2)    – O 1.º Grupo Misto, com sede normal na Base Aérea de Natal e constituído de esquadrilhas de Caça e de Bombardeio Médio.

  1. b)Na 3.ª Zona Aérea:

1)    – O 1.º Grupo de Transporte, com sede normal no Aeroporto Santos Dumont, subordinado ao Ministro da Aeronáutica,

2)    – O 2.º Grupo de Transporte, com sede normal no Campo dos Afonsos, subordinado à Diretoria de Rotas Aéreas.

  1. c)Na 4.ª Zona Aérea:

1)    – O 1.º Grupo Misto de Instrução, com sede normal na Base Aérea de São Paulo e destinado à instrução dos alunos da escola Técnica de Viação de São Paulo, da qual é parte integrante,

2)    – O 2.º Grupo de Bombardeio Leve, com sede normal na Base Aérea de São Paulo,

  1. d)Na 5.ª Zona Aérea:

1)    – O 5.º Regimento de Aviação, com sede normal na Base Aérea de Curitiba,

2)    – O 3.º Grupo de Bombardeio Picado, com sede normal na Base Aérea de Curitiba.

     Parágrafo Único. O 5.º Regimento de Aviação ficará constituído do 1.º Grupo de Caça, já existente, e do 3.º Grupo de Bombardeio Picado, ora criado.

     Art. 2.º O 2.º Grupo de Caça tem sua sede transferida da Base Aérea de Natal para a Base Aérea de santa Cruz a fim de integrar o 1.º Regimento de Aviação ( Art. 2.] do Decreto-lei n.º 6.796, de 17 de agosto do corrente ano ).

Art. 3.º O presente Decreto-lei entra em vigor na data de sua publicação, revogadas as disposições em contrario.

Rio de Janeiro, 5 de outubro de 1944, 123.º da Independência e 56.º da Republica.

 

GETULIO VARGAS

Joaquim Pedro Salgado Filho

Extinção do Primeiro Grupo Misto de Aviação e criação do 5o Grupo de Bombardeio Médio

 Através do Decreto-Lei no 7.907, de 28 de agosto de 1945, foi extinto o 1o Grupo Misto de Aviação e em seu lugar, foi criado o 5o  Grupo de Bombardeio Médio, com sede em Natal.

O referido Decreto-Lei esclareceu ainda que na organização do 5o Grupo “seriam aproveitados os elementos do extinto 1o Grupo Misto de Aviação que lhe forem aplicáveis”.  

DECRETO-LEI N.º 7.907 – de 28 de agosto de 1945

Extingue o 1.º Grupo Misto de Aviação com sede normal em Natal e cria o 5.º Grupo de Bombardeio Médio

O Presidente da República, usando das atribuições que lhe confere o artigo 180 da Constituição, DECRETA:

     Art. 1.º Fica extinto o 1.º Grupo Misto de Aviação com sede normal em Natal.

     Art. 2.º É criado o 5.º Grupo de Bombardeio Médio com sede normal em Natal, a organizar com os elementos pertencentes do extinto 1.º Grupo Misto de Aviação que lhe forem aplicáveis.

     Art. 3.º Este Decreto-lei entrará em vigor na data de sua publicação e revogam-se as disposições em contrário.

     Rio de Janeiro, 28 de agosto de 1945, 124.º da Independência e 57.º da Republica.

 

GETULIO VARGAS

Joaquim Pedro Salgado Filho

Em conseqüência dessa mudança organizacional, o 5o Grupo de Bombardeio Médio passou a ter vida administrativa a partir de 4 de setembro de 1945, data em que circulou o Boletim no 01.

5o Grupo de Bombardeio Médio passou a constituir-se de um Comando e três Esquadrilhas. 

Extinção do 5o Grupo de Bombardeio Médio e criação do 5o Grupo de Aviação

Por decreto de número 22.802, promulgado em 24 de março de 1947, o Presidente da República extinguiu e ativou diversas Unidades da FAB, incluindo grupos de patrulha, caça, bombardeio leve e bombardeio picado, além dos Regimentos de Aviação.

Na área de Natal foi extinto o 5º Grupo de Bombardeio Médio (5º  GBM), sendo substituído pelo 5º Grupo de Aviação (5º  GAv), que veio a se tornar uma Unidade Aérea de grande projeção no seio da FAB, tanto sob o aspecto de Unidade de Instrução, como sob o de Unidade de Emprego.

Embora o 5º GAV tenha sido criado em 24 de Março de 1947, só foi ativado em 15 de Novembro de 1956.  

DECRETO Nº 22.802, DE 24 DE MARçO DE 1947

Dá nova denominação e sede às Unidades Aéreas

O PRESIDENTE DA REPÚBLICA , usando da atribuição que lhe confere o artigo 87, item I, da Constituição e de acordo com o que estabelece o Decreto-lei n.º 9.889, de 16 de setembro de 1946, DECRETA:

Art 1º Ficam extintas as seguintes Unidades Aéreas: 1.º , 2.º ,3.º , 4.º 5.º 6.º e 7.º Regimento de Aviação; 1.º e 2.º Grupos de Patrulha; 1.º, 2.º , 3.º e 4.º Grupos de Caça; 1.º e 2.º Grupos de Bombardeio Leve; 1.º , 2.º ,3.º , 4.º 5.º e 6.º Grupos de Bombardeio Médio; 1.º Grupo de Bombardeio Picado.

Art 2º As Unidades Aéreas extintas são substituídas pelas seguintes unidades com sede nos locais abaixo mencionados:  

Manaus – 1.º Grupo de Aviação.

Belém – Grupo de Aviação.

Fortaleza – 4.º Grupo de Aviação.

Natal – 5.º Grupo de Aviação.

Recife – 6.º Grupo de Aviação.

Salvador – 7.º Grupo de Aviação.

Rio de Janeiro – 8.º Grupo de Aviação.

Rio de Janeiro – 9.º Grupo de Aviação.

São Paulo – 10.º Grupo de Aviação.

Santos – 11.º Grupo de Aviação.

Curitiba – 12.º Grupo de Aviação.

Florianópolis – 13.º Grupo de Aviação.

Porto Alegre – 14.º Grupo de Aviação.

Campo Grande – 15.º Grupo de Aviação.

Belo Horizonte – 16.º Grupo de Aviação.  

Art 3.º Fica o Ministro da Aeronáutica autorizado a organizar e dar efetivos às unidades mencionadas no artigo anterior, de acordo com as disponibilidades em pessoal e material .

Art 4.º A classificação do pessoal nas novas unidades far-se-á em conformidade com a legislação vigente.

Art 5º Este Decreto entra em vigor na data de sua publicação, revogadas as disposições em contrário.

Rio de Janeiro, em 24 de março de 1947, 126.º da Independência e 59.º da República.

EURICO G. DUTRA.

Armando Trompowsky. 

Fonte: oocities.org

Um comentário em “História do 5o GAV – 1942 – 1946

  • 12 de abril de 2019 em 00:42
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    Muito importante esse registro desse momento da nossa história, principalmente quando vivemos uma carência de pessoas interessadas nesse tema.

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